A ARTE DE MAZZIM MAZAMBA

 Kithi

Foto: Danilo Sérgio

setembro de 2019

A arte de Mazzim Mazamba acontece naturalmente e é decorrência da sua vida, como tudo que faz. Enraizado na cultura da sua terra, Rio de Janeiro, Mazzim retrata na pintura e nas composições musicais o seu próprio cotidiano. Uma memória do visível. Daquilo que marcou e marca a sua trajetória enquanto ser humano atento e sensível a movimentação da vida. 

 

Carioca de São João de Meriti, ele traz no sangue a arte. Entre a música e as artes visuais ele desfila com maestria.

 

Como compositor experimentou o esplendor de ser campeão. É um dos autores do samba enredo “A criação do Mundo Segundo a Tradição Nagô”, que garantiu a vitória para escola de samba Beija-Flor de Nilópolis em 1978 . “Uma sensação que não tem como explicar” diz Mazzim.

 

Como artista plástico expôs em galerias brasileiras e norte-americanas. Foi premiado no I Salão Nacional Zumbi dos Palmares realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; participou do evento “Celebrate Brazil: 500 Years of Art e Music em New York, expôs na Capitol East Graphics Gallery em Washington, D.C.; participou da exposição Afro-Brazilian Cultural Expression in a Past-Modern Era, em Minnesota;  expôs em The African American Museum of Nassau Country, em New York... 

Ele se criou acompanhando o movimento artístico dos pais. Enquanto a mãe era pastora de Ataulfo Alves, compositor e sambista, lhe ensinando e inspirando com seu canto; o pai pintava por prazer e as tintas faziam parte da sua infância e juventude.

Aos 16 anos Mazzim vai morar em Nilópolis e a escola de samba começa a fazer parte do seu dia-a-dia. A curiosidade de saber como se faz para criar um samba enredo o levou para o meio dos compositores.

 

Foi numa roda de samba, partido alto, fazendo versos de improviso que a aprendizagem de compositor se iniciou.

 

O Mestre Nicanor de Oliveira, presidente da ala dos compositores da Beija-Flor, atento ao potencial do jovem Mazzim, fez o convite para que ele fizesse a segunda parte de uma composição em homenagem ao novo presidente da escola de samba. E Mazzim aceitou. Ele tinha dois dias para entregar o serviço pronto.

 

Passou no primeiro teste. Não é fácil. Além do crivo dos sambistas mais velhos contava também o gosto popular.

 

Ele que era passista foi levado para a ala dos compositores onde passou por um ano de aprendizagem. A etapa seguinte consistia em criar três músicas inéditas sem constituir parcerias, apresentar na reunião de compositores e se aprovado, cantar na quadra.

 

Dessa forma foi ganhando público e se fazendo conhecido.

 

O primeiro samba enredo que participou foi no ano de 1974/1975. A beija-flor estava acabando de chegar no primeiro grupo.

 

Em 1977 o carnavalesco Joaozinho Trinta passa a sinopse para criar o samba enredo que iria desfilar em 1978. Ninguém tinha, até então, ouvido falar na criação do mundo segundo a tradição Nagô. Junto com Gilson Dr. e Neguinho da Beija-Flor, Mazzim pesquisa a história não contada nas escolas formais, vai para avenida ser campeão e explode de emoção no desfile.

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O samba e a pintura caminham lado-a-lado, como universos complementares de um único artista. Um alicerçando o outro e transformando a vida de Mazzim que traz na sua arte, também, a memória do Rio de Janeiro da sua juventude. Um retrato do vivido, do experimentado e saboreado em versos, prosas e imagens.

Na obra "Zona do Mangue" Mazzim descreve o espaço reservado ao flerte, a música, ao baile e claro as mulheres, que naquele ambiente se faziam putas. Eram polacas, francesas, mulatas... Veja no vídeo abaixo a história contada pelo próprio artista

Para cada obra um pedaço da história do Rio. A memória da própria trajetória pela cidade. A dança, os músicos, os espaços, as personalidades...  

Fotos de Danilo Sérgio cedidas pelo artista

REVISTA ASSUM PRETO

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